OAB-MA denuncia massacre promovido por militares
São Luis (MA), 11/05/2007 - A Seccional do Maranhão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) denunciou um massacre promovido por homens do Grupo de Operações Especiais (GOE), da Polícia Militar, em povoados dos municípios de Turilândia e Santa Helena, localizados no interior do Estado. Na saga desenfreada para tentar localizar um homem que matou dois militares, os “homens de preto”, como são chamados, teriam superado todos os limites da violência e falta de cidadania, demonstrando que o novo sistema de segurança cidadã está sem controle e sem comando.
A revolta dos policiais teria começado no dia 23 de abril, quando dois militares de Turilândia, o sargento Ciro, que comandava o destacamento do município, e o soldado Mousaniel baleado, foram mortos. Os dois militares foram vítimas do homem identificado como Paulo Silva, que estava escondido no povoado Faxina, em Santa Helena, depois de ter matado sua ex-companheira em Turilândia. Os militares estavam em missão para prendê-lo e acabaram mortos.
Foi solicitado, então, apoio do GOE do município de Pinheiro para prender Paulo Silva, quando teve início uma operação especial digna de filmes de guerra americanos. Os nove homens vestidos de preto passaram a caçar o criminoso, com incursões à noite e madrugada.
Uma das vítimas, o lavrador Nivaldo Santos Almeida, de 38 anos, muito debilitado, contou que era madrugada de 2 de maio quando nove “homens de preto” invadiram sua casa, quebrando a porta. Eles entraram, o arrastaram da cama e queriam que dissesse onde estava Paulo. Os militares achavam que Nivaldo sabia onde o acusado estava porque sua sogra mora com o pai do acusado.
Nivaldo não sabia onde estava Paulo, mas os policiais não acreditaram e o torturaram por cerca de 15 minutos. “Eles me colocaram de joelhos, me bateram, pegaram um alicate e colocaram na minha garganta e ficavam apertando e puxando. Quando eu ia desmaiando, eles soltavam. Enfiaram uma sacola na minha cabeça e depois apontaram uma arma para minha sogra, de 55 anos, e bateram no rosto dela”, contou a vítima.
Com dentes moles devido às pancadas no rosto e o joelho deslocado, além de muitas dores no corpo, Nivaldo foi abandonado no terreiro de sua casa, desacordado. Ontem, quando contava o que sofreu, ele mal podia ficar em pé e constantemente levava as mãos ao tórax, por causa das dores.
O mesmo terror viveram vários moradores dos dois povoados citados. Quem conhecia ou pelo menos tinha ouvido falar de Paulo acabava torturado para dizer onde ele estava. O acusado continua foragido.
No fim da tarde de ontem, doze policias que compõem o GOE de Pinheiro foram apresentados no Comando da Polícia Militar e ficaram recolhidos. Será instaurado Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o fato, entre outros procedimentos.
