OAB-MG quer algema nos mensaleiros e sanguessugas
Belo Horizonte, 27/04/2007 – O presidente da Seccional de Minas Gerais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Raimundo Cândido Junior, defendeu hoje (27) punição exemplar para os magistrados que tenham comprovadamente participado da venda de sentenças para os donos de caça-níqueis no país. Mas, segundo ele, o que vem ocorrendo é a tentativa de desviar o foco dos envolvidos em casos rumorosos como o mensalão e os sanguessugas. “Parece que há uma campanha ostensiva para desmoralizar a justiça e, com isso, desviar o foco daquelas figuras carimbadas que se envolveram em verdadeiros esquemas fraudulentos com o dinheiro público. Estão querendo transformar o Judiciário na geni deste país.” Ele fez questão de lembrar que nenhum envolvido com a máfia do mensalão, por exemplo, foi algemado pelos agentes da Polícia Federal. “Não vi nenhum deputado ser algemado nas Operações da Polícia Federal”, afirmou.
Sobre a Operação Furacão, o presidente da OAB mineira disse que a entidade está avaliando com o devido cuidado porque “não queremos inocentar culpados e, muito menos, culpar inocentes”. Os fatos – disse - estão sendo apurados e, de acordo com a Constituição vigente no país, deve ser assegurada a ampla defesa dos acusados, assim como os advogados devem ter acesso aos processos e aos seus clientes para que possam propiciar essa ampla defesa.
"Vamos aguardar com tranqüilidade os resultados das investigações e, efetivada a prova da culpa, os culpados devem ser punidos para que possamos passar a limpo o país", afirmou Raimundo Cândido. Ele lembrou que o cidadão brasileiro deve tomar cuidado porque o governo federal é o maior “bancador” do jogo no país com a Loto, Megasena, Loteria Esportiva e outros jogos e o que está sendo combatido é justamente o jogo de azar. “É lógico que o jogo por si só não significa nada. O significa é vender decisões para tolerar o jogo. Essa é que é a nossa preocupação”.
Raimundo Cândido disse, ainda, que, se de fato tiver acontecido a venda de sentença, deve haver uma punição exemplar. Agora, um juiz decidir a favor ou contra bingueiros, bicheiros dentro da sua convicção isso faz parte do regime democrático. Quem não estiver de acordo deve recorrer na própria justiça. “Estamos vendo uma tentativa de desviar o foco dos mensalões, dos sanguessugas porque, até agora, não vimos nenhum deputado algemado nessas operações da Polícia Federal. Parece que há uma campanha ostensiva para desmoralizar a justiça no país e desviar o foco”, concluiu após participar, na capital mineira, do Congresso Nacional de Jovens Advogados.
