OAB-SE: Rio que Jaques Wagner conhece não é o São Francisco
Brasília, 30/03/2007 – “O Rio que ele conhece é outro, não é o São Francisco e sim o de Janeiro”. A afirmação foi feita hoje (30) pelo presidente da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil de Sergipe, Henri Clay Andrade, durante a reunião do Colégio de Presidentes de Conselhos Seccionais da OAB, ao criticar declarações do governador da Bahia, Jaques Wagner, que defendeu a transposição do Rio São Francisco. Wagner é nascido no Rio de Janeiro e foi criado na Bahia. Henri Clay é contra a transposição e defende a revitalização do Velho Chico, anunciando para a próxima semana o ajuizamento de uma ação popular nesse sentido no Supremo Tribunal Federal.
Para o presidente da OAB-SE, a transposição do São Francisco causará graves problemas para o povo nordestino, “atingindo toda a população ribeirinha, que sobrevive há anos das suas águas”. Na sua opinião, a decisão correta seria a revitalização do rio, que tem sido degradado por interferências como construção de barragens e hidrelétricas. Ele avalia que, com a transposição, a tarifa da energia elétrica produzida com águas do São Francisco será majorada, o que irá inviabilizar o acesso dos mais carentes ao uso de geladeira, televisão e outros utensílios.
Henri Clay afirmou hoje que é preciso desmistificar a propaganda do governo de que a transposição tem por finalidade matar a sede do nordestino. “Sou nordestino e sei que a verdadeira pretensão por trás desse projeto é alimentar a indústria da seca”, observou, lamentando que o governo brasileiro insista em iniciar as obras da transposição “sem dialogar com a sociedade e sem prévio debate no Congresso Nacional". Ele concluiu: “O governo federal age desta forma à margem da lei e afrontando acintosamente a Constituição”.
