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OAB e ABI repudiam quebra de sigilo de telefone de jornal

quinta-feira, 9 de novembro de 2006 às 10h11

São Paulo, 09/11/2006 – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, afirmou que "a quebra de sigilo fere o direito do jornal ao sigilo da fonte". A afirmação de Busato foi dada nesta quarta-feira, em comentário ao pedido da Polícia Federal de quebra do sigilo de um dos telefones da sucursal de Brasília do jornal Folha de S.Paulo, instalado no comitê de imprensa da Câmara dos Deputados. O sigilo foi quebrado em meio a investigações sobre a frustrada tentativa de venda do dossiê contra tucanos a petistas.

Sob a hipótese de desconhecimento de que o telefone pertencia à Folha de S. Paulo, Busato diz que "a ignorância não é escusa". "Você não deixa de cometer um crime por desconhecimento", diz o presidente da OAB. "Evidentemente houve um crime e os dados obtidos da quebra não podem ser usados de forma alguma nas investigações".

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), jornalista Maurício Azêdo, entende que a quebra de sigilo do telefone da Folha de S.Paulo "é um fato singular e preocupante, porque coloca os contatos que o jornal fez de forma lícita sob o risco de utilização indevida até mesmo por órgãos policiais cuja isenção e cuja lisura estão sob suspeição desde o episódio do delegado que deu aquelas fotografias (do dinheiro usado para a compra do dossiê contra tucanos) para a imprensa".

O presidente da ABI diz, ainda, que "é algo inusitado, pois dificilmente há casos em que os telefonemas dados e recebidos por um jornal são objeto de fornecimento a um órgão investigador de caráter policial ou parlamentar". "A ABI espera que as autoridades da PF e o Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, ofereçam à Folha e à comunidade jornalística a garantia de que essas informações não sejam usadas de forma que prejudiquem os interesses empresariais e jornalísticos da Empresa Folha da Manhã", diz.

O pedido de quebra de sigilo feito pela Polícia Federal à Justiça, no dia 24 de setembro, incluiu ainda outros 168 números telefônicos, entre eles o do aparelho celular profissional utilizado por uma repórter do jornal. Os números investigados estavam registrados no celular de Gedimar Passos, um dos detidos pela PF em 15 de setembro por negociar o dossiê. (Com informações publicadas na edição de hoje da Folha de S.Paulo)

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