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Adherbal Corrêa anuncia despedida da OAB do Acre

sexta-feira, 20 de outubro de 2006 às 09h46

Rio Branco, 20/10/2006 - Após presidir por vários anos a Seccional do Acre da Ordem dos Advogados do Brasil, o advogado Adherbal Maximiano Caetano Corrêa deixará a direção do órgão no final do seu mandato, em 31 de dezembro deste ano. A eleição para escolha do seu sucessor no comando da entidade vai ser realizada no próximo dia 28 de novembro. Paraense de Belém (PA) e formado em Direito pela Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, Adherbal chegou a Rio Branco em 8 de outubro de 1963, menos de quatro meses após o Acre ter passado à categoria de Estado e poucos meses antes do golpe militar de 31 de março de 1964.

"Vi muita coisa acontecer, trabalhei bastante para consolidar esta profissão bonita que é a advocacia em nosso Estado, mas acho que é o momento certo de me afastar da direção da OAB. Sei que não agradei a todos e cada um vai fazer um juízo da minha atuação. Ajudei no que foi possível, sei que fui útil ao Acre e vou sair de cabeça erguida. Tive uma administração nota 6. Não sou tão pretensioso de pensar que fui nota máxima", explica Adherbal Corrêa.

Formado em Direito pela Universidade Gama Filho em 1961, uma das mais importantes instituições de ensino superior do Rio de Janeiro, o atual presidente da OAB-AC foi para Rio Branco como advogado da Superintendência Estadual de Reforma Agrária (Supra). Entre as atividades como militante, Corrêa participou da fundação do primeiro Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Acre (STR-AC) em fevereiro de 1964. No ano seguinte, participou da inauguração e da fundação da primeira faculdade do curso de Direito da capital em conjunto com sete companheiros. Pouco depois, foi colaborador na organização do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre (Deracre).

Adherbal traz várias lembranças dos anos difíceis. Afirma ter ficado preso por 54 dias durante o golpe devido a seu estilo na sociedade. Diz que presenciou momentos de tensão e perversidade e outros vários que não podem ser revelados, mas que estão muito vivos em sua memória. Adherbal também se declara "de esquerda" e demonstra descontentamento com o atual governo federal e a administração aplicada até o momento, afirmando que a população foi enganada. "Acho que o Brasil poderia ter um governo melhor, mas entrou esse que traiu tudo. É um governo servil, infame e de mentiras que destruiu a esperança de uma nação. Fez tudo diferente do que foi dito durante a campanha eleitoral. Esse é o Brasil de hoje. A crença do povo foi devastada", dispara.

O presidente, apesar de tanto tempo dedicado à OAB-AC, já ocupou o cargo de delegado do Brasil na União Internacional dos Advogados. Durante o período viajou por vários países europeus e de outros continentes. Entre tantos, teve como companheiros de jornada o atual ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o advogado Miguel Reale, membro da Academia Brasileira de Letras, falecido recentemente vítima de enfarte. "Estive em Paris, Bruxelas e diversos países juntamente com Márcio Thomaz Bastos, Miguel Reale e outros", enfatiza.

Sobre a atividade na OAB-AC, Adherbal diz acreditar ter feito seu trabalho com imparcialidade e sem precisar "puxar sardinha" para ninguém. "Prefiro me retrair quando vejo algo orientado. Talvez alguns prefiram uma ordem mais dinâmica, mas, aqui (Acre), o considerado dinâmico é servir de cabeça baixa, aceitando as imposições. Eu não sou assim. Nunca fui puxa-saco de ninguém e nem precisei. Acho que na Ordem devo agradar, caso contrário, não estaria tanto tempo como presidente", declara.

Em tom de despedida, ele diz deixar o cargo com a consciência tranqüila de quem trabalhou de maneira honesta e objetiva. A decisão de deixar o cargo, segundo o presidente da OAB-AC, foi tomada por causa da passagem do tempo e também da saudade da família. "Vou sair daqui e voltar para Belém. Quero ficar perto dos meus netos, meus filhos, minha família. Tenho uma família muito pequena e há algum tempo já estão pedindo para que eu retorne. Sempre que posso vou visitá-los, mas não é a mesma coisa. Estou querendo curtir eles um pouco".

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