IAB apóia pedido da OAB de afastamento imediato ou prisão de Arruda
Brasília, 10/02/2010 - O presidente do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Henrique Maués, afirmou hoje (10) que não poderia esperar outra atitude do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, que requereu na noite desta terça-feira à Procuradoria Geral da República a tomada de medidas judiciais visando o imediato afastamento do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, ou sua prisão preventiva. "A OAB, na sua função de defesa da dignidade das instituições democráticas, do Judiciário e na defesa do Estado Democrático de Direito, não poderia deixar de pedir o afastamento imediato do governador", afirmou. "Há um grande traço da corrupção permeando todos esses fatos que envolvem o governador José Roberto Arruda e os Poderes da República de um modo geral. Espero que tenhamos um apuração rigorosa dessas denúncias".
Diante das denúncias de que o governador teria tentado "comprar" uma das testemunhas do inquérito que apura o pagamento de propinas pelo governador a membros de sua base aliada, Maués afirma ser absolutamente necessário de que o Ministério Público adote medidas urgentes e severas para que o inquérito não seja afetado pelo influência ou comportamento do governador. "O Poder Judiciário não pode ficar à mercê de atitudes como essas relatadas pela mídia, sem dar uma resposta imediata à sociedade brasileira", acrescentou.
A seguir a íntegra da entrevista concedida pelo presidente do IAB, Henrique Maués:
P - Como o senhor recebe a notícia de que a OAB remeteu à PGR o pedido de que sejam tomadas medidas judiciais urgentes visando o imediato afastamento do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda?
R - A OAB, na sua função de defesa da dignidade das instituições democráticas, do Poder Judiciário e na defesa do Estado Democrático de Direito, não poderia deixar de se pedir o afastamento imediato do governador Distrito Federal. Diante das denúncias de tentativa de pressionar uma das testemunhas do inquérito que apura o pagamento de propinas pelo governador a membros de sua base aliada, é necessário de fato que o Ministério Público adote medidas urgentes e severas para que o inquérito não seja afetado pelo comportamento do governador. O Poder Judiciário não pode ficar à mercê de atitudes como essas relatadas pela mídia, sem dar uma resposta imediata à sociedade brasileira.
P - Qual a sua avaliação acerca de todo esse escândalo que ficou mais conhecido como mensalão do DEM?
R - Há um grande traço da corrupção permeando todos esses fatos que envolvem o governador José Roberto Arruda e os Poderes da República de um modo geral. Espero que tenhamos um apuração rigorosa dessas denúncias. Poucas vezes ficou tão bem comprovada a corrupção por meio de imagens impactantes, sobretudo quando se trata de um governador. Eu esperava que o governador se afastasse do cargo para que as investigações pudessem ocorrer de forma isenta e não fossem contaminadas. Digo isso porque o governador do Estado é aquele que comanda as forças de segurança pública, a polícia militar. Essa autoridade tem um poder enorme, então, por esses motivos, entendo que o governador deveria ter se afastado para que as investigações não fossem contaminadas e não houvesse possibilidade de represália por parte do chefe do Distrito Federal. A OAB honra as suas tradições com o presidente Ophir fazendo lembrar a posição firme e correta que a entidade teve quando do processo de impeachment de Fernando Collor de Melo.
