Comissão de Anistia do MJ se reúne na OAB-SE e beneficia 33 sergipanos
Aracaju (SE), 18/05/2009 - A Seccional de Sergipe da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SE) foi palco de uma sessão de julgamento da Comissão Nacional de Anistia do Ministério da Justiça onde foram anistiados 33 sergipanos. Entre os homenageados, o ex-deputado estadual e ex-prefeito de Aracaju, Antônio Viana de Assis, o ex-governador João de Seixas Dórea e o sindicalista Milton Coelho, que perdeu a visão em sessões de tortura no período da ditadura militar. Outros processos continuarão em andamento. A solenidade contou com a presença do ministro da Justiça, Tarso Genro, do presidente nacional da OAB, Cezar Britto, do presidente da Comissão de Anistia, Paulo Filho, do governador Marcelo Déda e do presidente da Seccional da entidade dos advogados, Henri Clay Andrade, além derepresentantes da sociedade civil.
Em seu discurso, o presidente nacional da OAB, Cezar Brito, afirmou ser ‘preciso que as leis saiam do papel e ganhem as ruas''. "Vinte anos depois estamos aqui para que a nova geração não confunda anistia com amnésia. Não podemos esquecer o passado", enfatizou,acrescentando ter entrado com ação no Superior Tribunal Militar para que os arquivos do regime não sejam queimados.
Já o ministro Tarso Genro disse que as gerações que não acompanharam as lutas de resistência precisam saber o que aconteceu. "Quem não olha o passado, não sabe de onde veio e não sabe para onde vai. Não é revanchismo. Os torturadores, hoje com 70 ou 80 anos não vão mais para a cadeia mas serão expostos na sociedade, se cometeram atos abruptos contra os seus semelhantes, enquanto as pessoas torturadas estão aqui, tendo orgulho do que fizeram", acredita o ministro.
Dos três homenageados, o ex-governador Seixas Dórea não pôde comparecer e foi representado por Viana de Assis. "Sempre é bom a gente ver o reconhecimento por termos defendido as reivindicações do povo. À época fomos cassados e acusados de subversivos. Eu fui preso, tive o mandato cassado e fui considerado inelegível por 21 anos. Agora reconheceram que estou impune. Estamos vendoem Sergipe uma tarde histórica para relembrar o período em que o estado foi quase todo tomado pelo Exército", relata, destacando que as sergipanas Ana Côrtes e Laura Mangueira foram excessivamente torturadas.
Milton Coelho relembrou as torturas sofridas no período da ditadura militar, a exemplo de choques elétricos e pontapés. "Espero que esse momento hoje seja revivido pelas novas gerações e que jamais seja repetido na história do país".
