OAB-MS: preconceito contra índios dificulta apuração de crime
Campo Grande (MS), 21/07/2007 – O desinteresse da população da região de Coronel Sapucaia e Amambaí, no Mato Grosso do Sul, em relação às causas indígenas é um dos fatores que podem dificultar a apuração do assassinato do líder guarani-kaiowá Ortiz Lopez, de 46 anos, que foi morto a tiros no dia 8 deste mês em frente à sua casa, em Coronel Sapucaia, região de fronteira com o Paraguai. Essa foi a primeira constatação da Comissão Especial de Assuntos Indígenas da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Estado, que esta semana visitou a região para acompanhar “in loco” as investigações.
Até o fim deste mês, a comissão entregará ao presidente da OAB-MS, Fábio Trad, um relatório sobre as apurações. Cópias do documento serão entregues também ao Ministério Público. A intenção é colaborar para que as investigações identifiquem rapidamente os culpados e estes sejam levados à Justiça. Ortiz Lopes liderava o movimento que pedia o reconhecimento da terra indígena Kurusu Amba, correspondente à fazenda Madama, entre Coronel Sapucaia e Amambai.
“Apesar da repercussão nacional e até internacional sobre o assassinato do líder indígena, constatamos que na região o desinteresse pelo caso é quase que total”, relatou o vice-presidente da Comissão de Assuntos Indígenas da OAB-MS, Marcus Antônio Ruiz (advogado indigenista conhecido como Karaí Mbaretê). “Em conversas com a população verificamos que muita gente até desconhece o fato e ficou evidente o preconceito da sociedade local em relação aos índios”.
Outros integrantes da comissão estiveram em Amambaí, comarca que abrange Coronel Sapucaia, e comunicaram oficialmente ao juiz da 1ª Vara, César de Souza Lima, e ao promotor da 2ª Vara, Rodrigo Yshida Brandão, que a OAB está acompanhando as apurações. Eles visitaram também a aldeia Taquapery, onde lideranças indígenas continuam buscando a legalização de terras.
Na aldeia Taquapery, em Coronel Sapucaia, eles conversaram com a viúva, Marluce Lopes, que falou sobre o episódio. Em Kurusu Anda, no início do ano, outra líder indígena que participara da ocupação já havia sido assassinada, Zulita Lopes, também conhecida como Xurete. Conforme nota divulgada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), na ocasião do assassinato de Ortiz Lopes à imprensa, este vinha recebendo ameaças de morte e havia escapado de outro atentado.
