Editorial: O que falta?
Maceió, 10/07/2007 - O editorial O que falta? foi publicado hoje (10) na edição de O Jornal, de Maceió:
"Primeiro foram opiniões esparsas na imprensa, defendendo que o senador Renan Calheiros, diante das graves denúncias que pesam sobre si, deixasse a presidência do Senado enquanto durarem as investigações sobre as denúncias de quebra do decoro parlamentar por seu envolvimento com um lobista de empreiteira. O primeiro gesto de defesa de Renan um pronunciamento no Senado já mostrava o acerto dessa opinião: ele apresentou sua defesa da cadeira da presidência, o que é profundamente errado. Deveria ter ido para a tribuna, como qualquer senador que se defende.
Depois, o clamor pelo afastamento foi crescendo, se espalhando dentro do próprio Senado, até que, numa sessão histórica, dezenas de senadores fizeram, frente a frente com Renan, um apelo testemunhado pelo Brasil inteiro, para que ele deixe o posto. Em vão. Talvez não tenha entendido o recado: É melhor se afastar do que ser afastado.
Na semana passada, mais um sinal de que essa exigência do bom senso está se tornando um clamor nacional: o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, pediu publicamente que Renan Calheiros fique fora da presidência do Senado para ser investigado sem mais constrangimentos pelo Conselho de Ética.
E ontem, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, somou sua voz à dos diversos setores da sociedade que já não pedem, exigem que Renan tenha um gesto de grandeza, pare de se agarrar ao cargo e ao poder que ele lhe confere, e se submeta à investigação sem blindagens institucionais.
O que mais será preciso para que o senador se dê conta de que sua posição é insustentável? Já não bastam as manifestações em frente ao Congresso que estão levando a questão para o terreno da chacota? Será que Renan Calheiros não percebe que está jogando o Senado inteiro num abismo?
Com essa intransigência, o presidente do Senado, além de se servir indevidamente do cargo, está demonstrando que, fora da presidência e sem os instrumentos de pressão que ela lhe confere, não conseguiria se defender. O que quase equivale a uma confissão de culpa."
