Britto: violência se combate com valores, não com Estado policial
Campo Grande (MS), 24/05/2007 – “Para combater a violência, ou escolhemos o caminho hoje trilhado pelo Mato Grosso do Sul, ou lavamos as mãos e fazemos do Brasil um Estado policial”. A afirmação foi feita hoje (24) pelo presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, na Assembléia Legislativa, durante sessão de lançamento do movimento “MS contra a violência”, uma iniciativa da Seccional da OAB do Estado. Ele ressalvou que a advocacia brasileira prefere a primeira alternativa, que é a de confrontar a violência com valores vitais da sociedade. Segundo o presidente da OAB-MS, Fábio Trad, presente à sessão, o movimento é baseado no resgate de valores da vida como a integridade física, o respeito, a tolerância e a solidariedade.
Em seu discurso, Cezar Britto lembrou que nos Estados Unidos, o caminho escolhido para o combate à violência foi o fortalecimento do Estado policial. Citou o caso da prisão de Guantânamo, mantida pelos EUA, “onde não se tem direito de conversar com os advogados e as pessoas nem sequer sabem porque estão presas”. Para ele, essa é a expressão do Estado policial, para o qual entende que o Brasil, perigosamente, tem pendido conforme demonstram as últimas megaoperações policiais e diversas medidas e projetos legislativos governamentais.
“Podemos trilhar esse caminho – o do Estado policial – ou outro”, assinalou Britto. “Mas, é preciso saber que quando transformamos o Brasil em Estado policial, acaba-se a liberdade de viver, acaba-se o contato com advogado e nos submetemos essencialmente à vontade do Estado. Prender todos sem dizer porque, deixar as pessoas presas sem que elas saibam o porquê - esse é o caminho que devemos seguir?”, questionou.
De acordo com Cezar Britto, a OAB Nacional prefere trilhar o caminho apontado pela campanha “MS contra a violência”, fundada em valores humanos e universais. “Mato Grosso do Sul escolheu um caminho diferente, que entendo ser o caminho correto e a solução mais adequada para esse grave problema que é a violência”, disse o presidente nacional da OAB, referindo-se ao movimento lançado pela Seccional da entidade no Estado com objetivo tentar conter os crescentes percentuais de criminalidade.