OAB cobra apuração e punição sobre morte de jornalista em SP
Brasília, 07/05/2007 - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, classificou hoje (07) de “crime de lesa-democracia” o assassinato do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, de Porto Ferreira, região de Sorocaba (SP), executado na noite do último sábado por pistoleiros. Em nota, o presidente do Conselho Federal da OAB, reunido em Brasília, cobra das autoridades a apuração e punição do crime. “Toda vez que um jornalista sofre qualquer tipo de violência e constrangimento em face do exercício de sua profissão, a vítima não é apenas ele: é a sociedade e o Estado democrático de Direito”, afirma.
O jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, 37 anos, denunciou em 2003 um esquema de aliciamento de menores que eram levados para festas em ranchos da região para fazer sexo com empresários, vereadores e um garçom de Porto Ferreira. O caso teve repercussão nacional e os envolvidos foram presos mas no momento apenas o garçom Walter Mafra continua na penitenciária de Itaí. Outros, mesmo sentenciados, foram libertados pelo regime de progressão de penas ou bom comportamento, inclusive o vereador Luís César Lanzoni, condenado a 45 anos de prisão, que conseguiu reduzir a pena para 10 anos e saiu após cumprir parte dela. Mesmo preso, ele foi eleito em 2004 e assumiu em 2005 como vereador.
Segundo o delegado que está investigando o assassinato do jornalista, ele se encontrava em um bar em Porto Ferreira, na noite de sábado, quando dois homens se aproximaram numa moto 125 cilindradas. Um deles desceu disparando contra o jornalista com uma arma calibre 12. Segundo o delegado que apura o caso, o jornalista levou dois tiros, um na região dorsal outro numa das pernas. Para o delegado, tudo indica que foi crime de execução e que havia uma rixa pessoal em relação à vítima.
A seguir, a nota do presidente nacional da OAB, Cezar Britto, cobrando punição no caso do assassinato do jornalista:
"Toda vez que um jornalista sofre qualquer tipo de violência ou constrangimento em face do exercício de sua profissão, a vítima não é apenas ele: é a sociedade e o Estado democrático de Direito.
No caso do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, executado covardemente no último sábado, em São Paulo, há claros sinais de que sofreu retaliação em face de denúncias que veiculou pela imprensa.
É, portanto, crime de lesa-democracia, que precisa ser apurado e punido.
Cezar Britto
Presidente do Conselho Federal da OAB".