Conselheiros da OAB criticam duramente ação da PF
Brasília, 16/04/2007 – O ministro da Justiça, Tarso Genro, foi alvo hoje (16) de duras críticas durante a reunião mensal do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em virtude do cerceamento que os advogados dos clientes presos na Operação Furacão estão sofrendo nas dependências da Polícia Federal desde a última sexta-feira quando foram presos magistrados, advogados, policiais e empresários. Um dos maiores críticos foi justamente o conselheiro federal da entidade e advogado de dois juízes presos na Operação, Nélio Machado. Segundo ele, Tarso Genro, que atuou vários anos como advogado trabalhista, “não está se lembrando perfeitamente das lições ensinadas durante o curso jurídico mas a Ordem fará com que ele se lembre”.
Nenhum advogado até este momento conseguiu ver o inquérito, nenhum viu a manifestação do Ministério Público que ensejou a prisão. Eu nunca vi isto na minha vida de 32 anos de advogado na área criminal, afirmou Nélio Machado. Ele lembrou que, lamentavelmente, isto está acontecendo em plena vigência da Constituição dita cidadã. “Na realidade, no tempo da ditadura militar tínhamos Ato Institucional mas jamais se impediu um advogado de examinar qualquer auto de inquérito em uma dependência policial ou no âmbito do Judiciário.”
O conselheiro federal Nélio Machado acusou a Polícia Federal de “cerceamento absoluto, cerceamento desde a primeira hora, cerceamento do contato com os clientes, cerceamento do tratamento desumano com os presos na Operação. “A Polícia Federal não está respeitando a Lei da Magistratura. Os juízes foram transportados algemados, exibidos pelas redes de televisão, tudo isso afronta a Constituição, desobedece frontalmente a Lei Orgânica da magistratura nacional”, concluiu Nélio Machado.