Cezar Britto apóia conciliação entre governo e controladores

quinta-feira, 05 de abril de 2007 às 05:20

Brasília, 05/04/2007 – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, afirmou hoje (05), durante entrevista, que a OAB fará de tudo na próxima terça-feira (10) para conseguir uma solução conciliada entre o governo e os controladores aéreos. “Não é mais hora de ficarmos criando problemas para um assunto que já é extremamente grave. O descontrole aéreo precisa ser resolvido urgentemente”, disse Cezar Britto, que recebeu o pedido formal do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Vôo e do Conlutas-Coordenação Nacional de Lutas para intermediar uma negociação com o governo federal para que seja colocado um ponto final na crise denominada de “apagão aéreo”.

Segue a entrevista do presidente nacional da OAB, Cezar Britto, à Rádio Bandeirantes, de São Paulo:

P - Como o senhor analisa esse pedido dos controladores para que a OAB intermedeie uma solução para a crise no setor aéreo?
R - Na minha opinião é uma demonstração clara de que todos devem procurar o consenso. Não é mais hora de ficarmos criando problemas para um assunto que já é extremamente grave. O descontrole aéreo precisa ser resolvido urgentemente. Vejo como bom sinal os controladores procurarem a Ordem dos Advogados do Brasil exatamente no momento em que a negociação precisa de uma conciliação. Não dá para se dizer que está acontecendo o mesmo clima pré-revolucionário da Central do Brasil. Na Central do Brasil, nos idos de 1963, se discutia questões de governo, se discutia quando se falava em quebra de hierarquia uma quase insurreição. Neste caso dos controladores aéreos, não. O que estamos discutindo exatamente as negociações, reivindicações salariais e condições de trabalho. Isso é muito diferente do que se falar em insurreição. Por isso, a partir do momento em que os controladores pedem desculpas à Nação, quando eles defendem o consenso, vejo com bons olhos e acho que após uma conversa podemos ter a solução definitiva para esse grave problema.

P - Por que se chegou a essa crise? O governo federal errou?
R - Não tenho dúvidas de que o governo falhou. Não tenho dúvidas de que o descontrole foi provocado pela ausência de solução por parte do governo. A responsabilidade é do governo. Os controladores também cometeram exageros, tanto isso é verdade que hoje eles emitiram nota oficial pedindo desculpas à Nação. O momento agora é de resolvermos o problema. Não é mais momento de colocars mais lenha na fogueira, achando que estamos numa situação pré-revolucionária.

P - O senhor defende uma solução pacífica para o caso?
R - O erro do governo não foi negociar naquele momento crítico. Aquele momento crítico que o Brasil viveu na semana passada exigia uma resposta imediata. Não daria para agravar com prisões e mais prisões e não resolver o impasse. Naquele momento o governo não errou quando se buscou uma solução negociada. O erro está bem anterior quando deixou chegar a este ponto crítico, quando tivemos uma situação de descalabro no sistema aéreo em que todo dia se falava que a paralisação iria acontecer. Não era só de controlador aéreo. Primeiro, porque havia problema no Cindacta 1, depois no Cindacta 2, depois faltou tripulante, também porque empresas estavam vendendo bilhetes acima da capacidade do avião, porque as empresas estavam fretando aviões, enfim foram vários motivos, vários erros, e por isso que a OAB defendeu com veemência a instalação de uma CPI do Apagão Aéreo. Então, se resumir a crise a questão dos controladores não é a melhor solução e não retrata a realidade porque passa o sistema aéreo brasileiro.

P - Uma mensagem da OAB para aquele que foi o mais prejudicado, o passageiro que comprou o bilhete e ficou horas dentro dos aeroportos aguardando o embarque..
R - Eu mesmo fui penalizado porque na última sexta-feira tentei embarcar de Brasília para Aracaju e não consegui.É uma crise que atinge a todos nós. Por isso é que vejo com bons olhos quando se busca uma solução negociada, quando se pretende resolver esse dilema. Temos o direito de saber realmente o que está acontecendo com o transporte aéreo brasileiro. Acho que este pedido para que a OAB faça uma negociação com o governo já é um passo importante porque demonstra que um dos lados compreendeu que errou, um dos lados compreendeu que é preciso avançar e não podemos desperdiçar esta oportunidade. Por isso, a OAB, como defensora da cidadania, sempre ligada às causas sociais, aceitou de bom grado esta reunia. Não sei ainda qual será o assunto, a propositura que se tem da Associação dos Controladores Aéreos, mas tenho certeza de terminada a reunião ligarei para todas as autoridades brasileiras para buscarmos uma solução e evitarmos que no Brasil tenhamos novos apagões aéreos.