OAB-RO alerta para perigo de nova matança em Roosevelt

segunda-feira, 02 de abril de 2007 às 10:37

Porto Velho (RO), 02/04/2007 – Preocupada com a possibilidade de um novo confronto entre garimpeiros e índios na Reserva Roosevelt, reeditando o massacre de abril de 2004 (quando 29 garimpeiros foram trucidados em função da extração desordenada e ilegal de diamantes), a Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Rondônia produzirá um relatório sobre a matéria e o encaminhará ao Conselho Federal da entidade, em Brasília. Na última semana, quando esteve na capital federal, o presidente da OAB-RO, Hélio Vieira, expôs a gravidade do problema ao presidente nacional da OAB, Cezar Britto. Ele pediu intervenção da entidade em nível nacional para a tomada de providências.

A medida, segundo Hélio Vieira, tem por finalidade alertar as autoridades federais de segurança sobre os perigos que a extração ilegal de diamantes na reserva dos índios Cinta Larga representam à natureza, aos índios, aos garimpeiros e ao País. “Se não forem adotadas providências imediatas, Rondônia pode voltar em breve às páginas da mídia nacional como palco de mais uma tragédia envolvendo índios e garimpeiros. O clima é tenso e não se pode perder tempo para agir”, alertou Vieira.

O relatório encampa informações colhidas junto à Polícia Federal, que sobrevoou a reserva Roosevelt em meados de janeiro e detectou a presença de duas escavadeiras hidráulicas, além de carros e barracas que denunciavam a presença de garimpeiros no local. Segundo relatório da PF, os garimpeiros têm o aval dos índios para trabalhar na extração de diamantes. “Quando sobrevoava a área, os policiais foram recebidos à bala”, revela o relatório enviado à OAB-RO pela Secretaria de Segurança do Estado.

Hélio Vieira propôs ao Conselho Federal da OAB a cobrança de providências urgentes a respeito do assunto junto ao Ministério da Justiça, Funai, Ministério do Meio Ambiente, Polícia Federal e Presidência da República, para evitar uma nova matança. No início de março, a OAB de Rondônia recebeu da delegacia de polícia civil de Espigão do Oeste um relatório denunciando a ação predatória de empresas estrangeiras nos municípios. Segundo o relatório, empresas canadenses e de outros países extraem material bruto e enviam para o exterior com fins de pesquisa econômica. A extração mais comum é de manganês e cassiterita.