OAB-MS diz que mortes de indígenas representam genocídio

quinta-feira, 15 de março de 2007 às 01:42

Campo Grande (MS), 15/03/2007 - O presidente da Seccional de Mato Grosso do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Fábio Trad, classificou hoje (15) de genocídio as constantes mortes ocorridas entre os indígenas do Estado, principalmente as provocadas por desnutrição. “O que está em curso com essa mortandade endêmica de índios é, na verdade, um genocídio, que lança na cara da sociedade a acusação, até agora irrespondível, de criminosa omissão. De certa forma há uma cumplicidade com a insensibilidade à vida do próximo”, criticou.

Para Fábio Trad, em qualquer país do mundo que tenha o mínimo de respeito com a sua história e com o seu povo, a situação que acomete atualmente os indígenas de Mato Grosso do Sul justificaria uma mobilização em massa da sociedade e do poder público para uma solução imediata.

Indagado sobre a quem caberia a tomada das providências que se fazem necessárias, o presidente da OAB-MS destacou que “o que menos importa no momento é saber se a responsabilidade é federal ou estadual no enfrentamento do problema, pois o índio, como ser humano que é, não pode ser tratado como um objeto da burocracia insensível do poder”.

Fábio Trad lembrou que na reserva indígena de Dourados, por exemplo, os índios têm enfrentado gravíssimos problemas com a violência, suicídios e alcoolismo, além da morte de crianças por desnutrição. Somente neste ano quatro crianças morreram na Aldeia Bororó e pelo menos duas delas por desnutrição.