Pressões de poderosos levam juiz à renúncia no TRE-AM
Manaus, 16/12/2006 - A cerimônia de diplomação dos eleitos, nas eleições gerais de 2006, expôs uma crise no Judiciário amazonense. O juiz do Pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) Élson Rodrigues Andrade renunciou ao cargo, alegando não aceitar pressões ilegítimas "de poderosos" para tomar a decisão sobre o processo que envolve os deputados estaduais Donmarques Mendonça (PRP) e Artur Bisneto (PSDB). O anúncio "estremeceu" a platéia que acompanhou, no auditório "Arnoldo Péres" do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJA-AM), Aleixo, Zona Centro-Sul, a entrega do diploma aos parlamentares eleitos e ao governador reeleito.
Ao final da cerimônia da diplomação, Elson Andrade anunciou a sua renúncia da função de juiz do Pleno do TRE. O cargo é uma indicação da Seccional do Amazonas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM). Andrade alegou está sofrendo pressões ilegítimas "de poderosos" para dar um parecer sobre o processo da coligação "Unidos Venceremos". Ele não quis revelar os nomes das pessoas que o estariam pressionando e nem deu entrevista à imprensa sobre o assunto.
Na quarta-feira, Élson Andrade retirou-se da sessão da Corte do TRE que votou a prestação de contas de campanha dos candidatos eleitos. Na ocasião, ele alegou estar emocionalmente abalado após ter recebido o telefonema de "alguém poderoso". "Prefiro me retirar da sessão. Não conseguirei julgar qualquer coisa. Recebi um telefone longo, pela manhã, que me magoou. Não quero ganhar um novo inimigo. Já tenho muitos outros inimigos poderosos", relatou Andrade.
Após a renúncia, alguns parlamentares que pediram o direito constitucional de sigilo de fonte, disseram 0que "o poderoso" que estaria pressionando Élson Andrade seria o senador Artur Neto (PSDB), pai de Artur Bisneto.