OAB: não seria surpresa ver mulheres presas com homens no RJ

sábado, 08 de dezembro de 2007 às 07:45

Rio de Janeiro, 08/12/2007 – O presidente da Seccional da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro, Wadih Damous, afirmou que não lhe causaria qualquer surpresa se chegasse à entidade denúncia de que também as prisões e delegacias do Rio possuem mulheres presas juntamente com homens ou detentos presos a pilares. “Tudo é possível. Se acontecesse um caso semelhante em um presídio no Rio não me causaria a menor surpresa, se é que isso já não está acontecendo”, afirmou Damous. “Isso porque o quadro em que se insere esse tipo de acontecimento é estrutural da sociedade brasileira, é um problema do Estado brasileiro”.



Na avaliação do presidente da OAB fluminense, o Brasil desrespeita corriqueiramente os direitos humanos daqueles que estão à disposição do Estado, sendo este um quadro não de mero descaso ou negligência com relação à vida, mas “uma política deliberada”. Qualquer infrator, seja ele de alta periculosidade seja um mero batedor de carteira, disse Damous, é visto no Brasil como um monstro, que deve ser tratado de forma brutal e exemplar. “Esses casos que ocorreram no Pará – da menor que ficou presa com vinte anos, tendo sido abusada sexualmente – e em Santa Catarina – de presos acorrentados a pilares por falta de celas – são decorrências lógicas desse tipo de ideologia”.



Ainda para o presidente da OAB fluminense, a política adotada no sistema prisional brasileiro tem sido próxima da de extermínio, “não de eliminação da pobreza em si, mas de eliminação dos pobres, uma política que vai prevalecendo nos corações e mentes de boa parte da sociedade”.



Wadih Damous destacou que o preso brasileiro é tratado, na maioria das vezes, de forma desumana, sendo torturado, massacrado, desumanizado. No entanto, a sociedade, que já foi escravocrata, não reclama. “Apenas quando acontece um caso mais emblemático a sociedade desperta e pára um pouco para refletir. O problema é que logo depois vem o cotidiano, um assalto em uma esquina do Rio de Janeiro, que faz com que as coisas voltem a ser como sempre foram, com a questão social sendo tratada como caso de polícia”, finalizou Damous.