Editorial: Depuração visual
Fortaleza (CE), 31/08/2007 – O editorial “Depuração visual” foi publicado na edição de hoje (31) do jornal O Povo, do Ceará:
“Repercute positivamente o projeto de lei (Lei Cidade Limpa) enviado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE) à Prefeitura Municipal de Fortaleza propondo uma regulamentação mais abrangente para o combate à poluição visual na capital. A iniciativa atende aos reclamos de quantos se preocupam com a qualidade de vida na capital cearense.
As projeções indicam que cerca de 90 por cento da população brasileira escolheram as áreas urbanas para residir. Isso significa uma mudança espetacular no último meio século, quando preponderava um Brasil rural. Essa rapidez de deslocamento da população do campo para as cidades trouxe uma pressão muito grande sobre esses conglomerados populacionais, seja em termos de ocupação desordenada do solo urbano, seja no que diz respeito à demanda por serviços.
Diante dessa realidade incontornável, e o estresse dela resultante, impôs-se a necessidade de um planejamento urbano que leve em conta a imperatividade de se criar um modus vivendi compatível com as exigências de uma vida humana de qualidade. Se é este o espaço em que a maioria dos cidadãos tem viver, é preciso adequá-lo às necessidades de um ambiente minimamente saudável. Isso significa eliminar tudo aquilo que possa concorrer para a degradação da qualidade de vida passível de ser oferecida por esses centros urbanos.
Dentre as várias poluições ambientais existentes, a visual talvez seja a que tenha seus efeitos maléficos mais ignorados. No entanto, é a que menos recebe atenção por parte do governo e das pessoas em geral, sendo considerado de importância secundária. Não devia ser assim, já que os estudiosos alertam que a poluição visual acarreta graves males, por afetar antes de tudo a própria sensibilidade humana, incidindo sobre a mente, produzindo reflexos psicológicos inegáveis.
Isso ocorre porque ela agride a estética, levando desarmonia a um espaço físico já bastante delimitado, como é o urbano, quase sempre carente de elementos naturais, cuja ausência deve ser compensada pela fruição dos elementos culturais: a beleza e a harmonia da arquitetura e de outros elementos paisagísticos capazes de espraiar o espírito. No entanto, estes são obstruídos ou destorcidos pela proliferação anárquica de placas, painéis, cartazes, cavaletes, faixas, banners, balões, outdoors, painéis eletrônicos e painéis televisivos de alta definição, além de causar agressões visuais e físicas aos transeuntes, às vezes, obstruindo aberturas de insolação e ventilação, sem falar nos aspectos de segurança, sobretudo para o trânsito. Sobretudo, enfeando a Cidade, ao lhe retirar a originalidade, prejudicando a todos - habitantes e visitantes - de gozar de seus predicados mais interessantes.”