TAM: Britto lamenta morte de 12 idosas do Tricô dos Precatórios

quarta-feira, 18 de julho de 2007 às 05:08

Brasília, 18/07/2007 – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, lamentou hoje (18) a morte de doze senhoras, todas na casa dos oitenta anos, que estavam no vôo 3054 da TAM e eram bastante conhecidas no Rio Grande do Sul por produzirem o “Tricô dos Precatórios”. O grupo de idosas se dirigia a São Paulo a convite da OAB para participar do Movimento Nacional contra o Calote Público, que seria realizado hoje na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O relato foi feito ao presidente nacional da OAB pelo advogado Flavio Brando, que é membro da Comissão Especial de Defesa dos Credores Públicos (Precatórios) da OAB Nacional.

O “Tricô dos Precatórios” foi criado por idosas pensionistas a quem o governo gaúcho devia o pagamento de ações ganhas na Justiça, a maioria referente a diferenças salariais e pensões não recebidas. Como uma forma singela, mas significativa, de protestar pelo não pagamento da dívida, elas tricotavam uma manta para com ela abraçar o Palácio Piratini, em Porto Alegre. A manta, que já tinha mais de 200 metros de cumprimento, era confeccionada todas as segundas e quartas-feiras, às 16h, quando elas se reúnem em frente ao Piratini.

A manta estava sendo levada no vôo pelas idosas para o Movimento contra o Calote e seria pendurada na fachada do edifício da Fiesp para chamar a atenção dos participantes contra o calote público. A idéia do “Tricô dos Precatórios” foi de Julia de Oliveira Camargo, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas do Rio Grande do Sul e da União Nacional de Credores Públicos (UNCP), que estava no vôo da TAM.

A idéia, segundo declarações de Julia a sites gaúchos, era confeccionar a manta para chamar a atenção das autoridades e medir o tempo de espera dos pagamentos. A manifestação das tardes no Piratini tinha como objetivo sensibilizar o governo para a situação caótica vivenciada por milhares de credores do Estado. “Elas morreram sem ver o pagamento das dívidas que tinham a receber”, afirmou Flavio Brando.

O movimento na Fiesp contra o calote, que acabou suspenso por causa da tragédia, ia reunir sindicalistas, membros da OAB e representantes de mais de 200 entidades engajadas contra o texto original da PEC 12/06 (dos Precatórios). O grupo de doze senhoras foi convidado pela OAB para participar do ato em São Paulo e contar a sua história.