Editorial: Um debate público necessário
Cuiabá (MT), 12/07/2007 - O editorial "Um debate público necessário" foi publicado na edição de hoje (12) do jornal A Gazeta, de Cuiabá:
"Aprofundar na direção de um debate público contra a corrupção, seja aqui em Cuiabá, seja no resto do Brasil, é mais do que urgente para que a sociedade civil, as entidades de classe, associações de bairros e instituições democráticas possam avançar em um diagnóstico firme e em soluções ou alternativas para tampar a sangria do dinheiro público utilizado para inúmeras funções, menos para o bem-estar social.
Assim, com esse pensamento e ação prática, vem, em boa hora, a instalação da primeira Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar parte da gestão do atual governo do Estado e da administração passada sobre a política ambiental. É benéfico ainda para a sociedade (eleitor, empreendedor e outros cidadãos que vivem de serviços públicos,) um movimento de combate à corrupção vasculhar, com auxílio de outras instituições fiscalizadoras, a Câmara Municipal de Cuiabá sobre compras obscuras de produtos efetivadas por responsáveis pelo poder público.
E o mais notável de todos os casos recentes de corrupção, o caso do Senado, com o fato de parlamentares do Congresso Nacional começarem a sentir o desgaste e se sentirem incomodados com as acusações contra o líder maior daquele Legislativo. Sobre este caso, é válida a disposição da OAB Nacional ter aprovado anteontem o afastamento imediato do presidente da Casa. Esperamos que as férias escolares e os Jogos Pan-Americanos, que se iniciam amanhã no Rio de Janeiro, não sirvam para fazer os brasileiros de Mato Grosso se esquecerem da nossa falta de cuidado com o dinheiro público. O mesmo que é transferido para governos e que depois se evapora com esquemas, notas frias, telefonemas cifrados, laranjas e empresas fantasmas. A propósito, as obras de construção do Pan, para variar, foram questionadas quanto ao uso de dinheiro.
Os (maus) exemplos só vêm reforçar a urgência da sociedade civil se organizar e exercer cotidianamente o controle social sobre as atividades daqueles que foram eleitos para defender a população. Já passou da hora de nos indignarmos com tanto roubo no Brasil, em Mato Grosso e em Cuiabá, para falar de tantas opções onde fazer o incorreto se banalizou tanto que virou uso e costume comum, como o recomendável. Nesse quesito, essa prática está longe dos deveres e direitos que devem ter gestores da administração pública, homens e mulheres de negócios e chefes das contas familiares.
Estas últimas, entre quatro paredes, aliás, têm muito a ensinar para presidentes, ministros, governadores, deputados, secretários, prefeitos... e tantos outros que persistem em erros propositais, com achaques, quadrilhas e a certeza da impunidade, até serem surpreendidos pelo remédio das operações da Polícia Federal. Este debate público, em diferentes camadas sociais, é necessário".