Artigo: As reformas que não chegam

sexta-feira, 29 de junho de 2007 às 03:03

Natal (RN), 29/06/2007 – O artigo “As reformas que não chegam“ é de autoria do presidente da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio Grande do Norte, Paulo Eduardo Teixeira:

“Ainda não é oficial, porém os parlamentares já anunciaram: não haverá reforma política! Pior do que isto é saber da possibilidade de retrocedermos no tempo e presenciarmos a inclusão de medidas conservadoras e protecionistas que mantenham o atual sistema eleitoral. Necessário se faz uma reflexão. O que esperar dos nossos parlamentares? Como acreditar em reformas se a maioria dos parlamentares tem o pensamento que vai de encontro a mudanças? Sabe-se que, - liderados por partidos conservadores, cuja tônica do discurso é prevalente no parlamento -, que não haverá reforma alguma, e que o sistema eleitoral será mantido com seus vícios e distorções, podendo trazer, inclusive, novos casuísmos.

Do lado de tanto projetos a serem apreciados pelos parlamentares, a sociedade brasileira convive com uma situação que depõem contra todos os princípios que devem prevalecer na democracia. Tramita perante a Comissão de Ética do Congresso Nacional um ensaio para saber se o presidente do Senado cometeu uma infração ou não. Mais uma vez os conservadores tentam obstacular o andamento do processo, criando incidentes que impedem a sua evolução. Dessa feita, resta uma indagação: Como acreditar em reformas se não há exemplos de modernidade, avanços, moralidade, etc? Como crer num processo isento, em uma evolução de qualquer processo de apuração se o comandante é aliado do acusado da prática infratora? Difícil crer em mudanças.

Espero poder retornar no tempo e num futuro, não muito distante, dizer que estamos todos errados e que tudo mudou para melhor... Infelizmente não acredito, e penso que evolução, avanços, entre outros, são verbos pouco conjugados pelos parlamentares.”