OAB: voto em listas não pode ameaçar democracia de retrocesso

quinta-feira, 14 de junho de 2007 às 12:15

Brasília,14/06/2007 – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, afirmou hoje (14) que o grande desafio para a sociedade brasileira, em relação ao projeto da reforma política que cria o sistema do voto em listas - também chamado lista fechada, em que os eleitores escolherão partidos e não candidatos - “é fazer com que a democracia não regrida caso ele seja aprovado”. Britto fez esta observação durante discussões no Seminário sobre Reforma Política, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, no qual é coordenador da mesa sobre o tema “Aperfeiçoamento da democracia representativa – o financiamento das campanhas políticas e o voto em lista”.

“A discussão que temos que enfrentar é, primeiramente, se o voto em listas é ou não democrático e, em seguida, como superar a questão do caciquismo no voto por meio desse mecanismo político, tudo em um momento em que o Brasil ainda não está acostumado com o voto partidário”, sustentou o presidente nacional da OAB. Britto lembrou que nas últimas eleições do País, “quem teve o cuidado de observar viu que os partidos políticos não apareceram em nenhum sistema de votação”.

Diante da falta de enraizamento dos partidos no sistema político brasileiro, ele lançou algumas indagações em relação ao projeto que cria o voto em listas, que será dirigido a partidos e não a candidatos como historicamente aconteceu no Brasil: “Como então passarmos, de uma hora para outra, de uma realidade em que não se aposta nos partidos políticos para uma em que, de repente, são os partidos que mandam e na qual o critério de escolha recai sobre os caciques de cada partido? Esse é o desafio que temos que enfrentar: fazer com que a democracia não regrida caso haja a aprovação do voto em listas".